Freud revelou, em sua teoria sobre as neuroses, uma característica fundamental da neurose obsessiva: o seu vínculo estrutural com o sentimento de culpa; o sujeito se vê invadido por recriminações.

“No Mal Estar da Civilização” Freud comenta que na neurose obsessiva há tipos de pacientes que não se dão conta de seu sentimento de culpa, ou apenas o sentem como um mal estar atormentador, uma espécie de ansiedade, se impedidos de praticar certas ações.

O estereótipo é o de alguém muito distinto, que aparentemente vai muito bem, tem senso de moral, respeito, escrúpulos, não deseja prejudicar ninguém, aliás…ele sequer deseja, ou melhor, jamais coloca o seu desejo, uma vez que este comparece degradado em necessidades ou deveres a cumprir. 

Enquanto o sujeito histérico se mobiliza, fala, chama atenção, o obsessivo vive em cogit(ação). A ação está entre parênteses, pois acha-se impedida pela ruminação na qual se encontra este sujeito, chafurdando em dúvidas e incertezas.

Enquanto o histérico encarna a falta, o obsessivo visa obturá-la, o que faz a qualquer preço, em detrimento de seu desejo e através de sua inteligência e racionalização, nem sempre, entretanto, fazendo justiça ao que se propõe – é conhecido o famoso “emburrecimento” neurótico. 
Um organizador por excelência, um administrador da vida, sobretudo a dos outros. De fato, obsessivos estão sempre prontos para tudo, desde que não se comprometam. 

O obsessivo mantém as idéias isoladas, porque a ligação é perigosa e pode remeter à castração. Isso é isolamento. Outro mecanismo de defesa é a anulação retroativa (“faz e depois refaz”).

A palavra “neurótico”, da maneira como costuma ser usada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensivo ou pejorativo. Pessoas que não entendem nada dessa parte da medicina podem usar a palavra “neurose” como sinônimo de “loucura”. Mas isso não é verdade, de forma alguma.

Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É neurótica e não ESTÁ neurótica.

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