Todo histérico é um reivindicador de amor, pois sempre achou que a mãe não o amou suficientemente. Queria um amor completo e assim, ser poderosa por ser muito amada. Tratará, então, de ser um objeto ideal do Outro, um filhinho ideal, com a determinação de receber o amor que lhe falta.

Segundo Nasio, “a histeria é, antes de tudo, o nome que damos ao laço e aos nós que o neurótico tece em sua relação com os outros a partir de suas fantasias”.  O histérico tem medo de obter o gozo máximo, que o faria enlouquecer, dissolver-se, desaparecer e para diminuir a sua angústia, mantém-se incessantemente, em suas fantasias e em sua vida, o doloroso estado de insatisfação. Assim, busca obter do outro, não a resposta que planifica, mas a não resposta que frustra. 

A histérica tem um ideal de perfeição, que quer sempre mais e melhor. Isso é positivo, é o traço da insatisfação – o ideal de ser, que foi dado pelo Grande Outro Materno.

 Traços estruturais do neurótico histérico:
Desejo suspenso ou alienação subjetiva: o histérico não tem desejo próprio e deseja o que o outro deseja. Isso porque se o falo é aquilo que o histérico se sente injustamente privado, o histérico vai acompanhar aquele que ele julga suposto deter o falo, aquele que sabe ou tudo pode. A histérica é grande detectora do desejo do outro, é como se tivesse um 6º sentido para captar o desejo do outro. Dado a ver: como o histérico se apresenta ao outro. Ele quer se mostrar, nem que seja o pior de si (bobo da corte). Faz encenações. Ela quer ser poderosa, mostrar que tem o “falo”. Logo, mostra-se, coloca-se em cena, tem necessidade de aparecer. A intenção é fascinar o Grande Outro Materno. “As mulheres se enfeitam para as outras mulheres”.  A sedução é colocada a serviço do falo, mais do que é colocada a serviço do desejo. Adora ser admirada. O que ela quer é que o outro a deseje, mais do que ela o deseja. Ela faz jogo de sedução e deixa o outro na dúvida, num arranjo de aproxima-se, afasta-se, não querendo dar um final objetivo, concreto. A atividade histérica de insinuação é um fim em si mesmo, já que não quer ter o desejo satisfeito. Frustrar-se é o objetivo final da histérica. Semblant: simulação que o histérico é capaz de fazer, para parecer-se verdadeiro. Gosta de dar a impressão de que é verdadeiro, exibe a “honestidade”, “castidade”, “religiosidade”, quer parecer confiante. Mas é uma imitação. A histérica copia e imita o outro que ela pensa que detém o poder/saber, mesmo que seja um modelo equivocado. 

Repressão e deslocamento: recalca o que o desagrada e substitui por outra coisa.

Máscara: mímica momentânea, onde faz cara de espanto, tristeza, alegria, ciúmes,… Etc. (Aquilo que convir no momento).

 Realiza o desejo do outro: como a histérica capta o desejo do outro, já que possui o seu desejo suspenso, é fácil para a histérica realizar o desejo do outro. Ela quer um Senhor, para que ela possa reinar sobre ele: “Por trás de um grande homem tem uma grande histérica”.

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