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Psicanálise com amor

"Em última análise, precisamos amar para não adoecer." Sigmund Freud nos diz: "Todo tratamento psicanalítico é uma tentativa de libertar o amor recalcado."

​A automutilação

A automutilação como o próprio nome já diz é a prática intencional de ferir-se fisicamente. Isso pode ser feito de diversas maneiras – se cortando, se queimando, se arranhando, se mordendo, e assim por diante.

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Falarei especificamente sobre o cortar-se (cutting), mas acredito que o texto pode ser utilizado para compreender qualquer espécie de automutilação.
O que leva um indivíduo à cortar-se intencionalmente? É algo complicado de se entender, pois a dor é algo que na maioria das vezes evitamos. Mas nessa ação a lógica não é diferente, pois o ato de provocar uma dor física é sobretudo a forma como esses indivíduos encontraram para aliviar a dor psíquica.

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São tantas as maneiras que o humano encontra para livrar-se da angústia que o assombra, e o cutting é mais uma delas. É uma forma de dar contenção, quando o sentimento se sobrepõe ao limite do suportável. Podemos pensar que talvez para esses indivíduos esse seja o único recurso disponível para suportar a angústia.

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Mas por que tamanha angústia? Sensações de constrição, separação, aflição, agonia, prisão, ansiedade extrema, desespero e assim por diante são sintomas de um indivíduo que perdeu (ou que nunca encontrou) o sentido de sua própria existência. Somos convocados a encontrar essa reposta e também a vivermos de acordo com ela – caso contrário a angústia nos asfixia até a morte se for necessário.

O cutting não pode ser visto como banal, como um “chamar a atenção”. Ele é o sintoma de uma profunda dor psicológica que não consegue ser expressa e elaborada de outra forma. Por vezes existem episódios em que nem o cortar-se é suficiente para conter a angústia, e então podem ocorrer as tentativas de suicídio.

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Tanto um quanto o outro podem ser compreendidos como um desejo inconsciente de contactar a alma, no anseio de sentir-se alguém vivo. O sangue é um dos grandes símbolos da alma, tanto que em diversas tradições beber o sangue de alguém é apropriar-se das características desse indivíduo.

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O cutting não é doença, é sintoma. E tem “cura”. O caminho terapêutico consiste em apresentar ao indivíduo outros meios para expressar e dar contenção a própria angústia, assim como auxiliá-lo a dar significado a sua existência. Enquanto o ego não for capaz de suportar e compreender a própria angústia, continuará repetindo esta barbárie em troca de alguns poucos momentos de paz…”

___ANA LUISA TESTA

O Mito do Narciso

Narciso, um jovem de extrema beleza, era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope. No entanto, apesar de atrair e despertar cobiça nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecer seu amor. E foi o seu desprezo pelos outros que o derrotou.

Quando Narciso nasceu, sua mãe consultou o adivinho Tirésias que lhe predisse que Narciso viveria muitos anos desde que nunca conhecesse a si mesmo. Narciso cresceu tornando-se cada vez mais belo e todas as moças e ninfas queriam seu amor, mas ele desprezava a todas. Certo dia, enquanto Narciso descansava sob as sombras do bosque, a ninfa Eco se apaixonou por ele. Porém tendo-a rejeitado, as ninfas jogaram-lhe uma maldição: – Que Narciso ame com a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada. Nêmesis, a divindade punidora, escutou e atendeu ao pedido.

Naquela região havia uma fonte límpida de águas cristalinas da qual ninguém havia se aproximado. Ao se inclinar para beber água da fonte, Narciso viu sua própria imagem refletida e encantou-se com sua visão. Fascinado, Narciso ficou a contemplar o lindo rosto, com aqueles belos olhos e a beleza dos lábios, apaixonou-se pela imagem sem saber que era a sua própria imagem refletida no espelho das águas.

Por várias vezes Narciso tentou alcançar aquela imagem dentro da água mas inutilmente; não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Esgotado, Narciso deitou na relva e aos poucos seu corpo foi desaparecendo. No seu lugar, surgiu uma flor amarela com pétalas brancas no centro que passou a se chamar, Narciso.
Parte do texto retirado do site: eventosmitologiagrega.blogspot.com.

Muitas vezes a palavra “narcisismo” é utilizada no senso comum de maneira pejorativa, para designar um excesso de apreço por si mesmo. Para a psicanálise, trata se de um aspecto fundamental para a constituição do sujeito. Um tanto de amor por si é necessário para confirmar e sustentar a autoestima, mas o exagero é sinal de fixação numa identificação vivida na infância.

A ilusão infantil de que o mundo gira ao nosso redor é decisiva nessa fase, mas para o desenvolvimento saudável é necessário que se dissipe, conforme deparamos com frustrações e descobrimos que não ser o centro do universo tem suas vantagens. Afinal, ser “tudo” para alguém (como acreditamos, ainda bem pequenos, ser para nossa mãe) é um fardo pesado demais para qualquer pessoa. Alguns, no entanto, se iludem com o fascínio do papel e passam sua vida almejando o modelo inatingível de perfeição.

Toda criança, ao nascer, é banhada por vários olhares e desejos. Quando se contemplar no espelho, não verá o simples reflexo físico de uma imagem, mas tudo o que esses olhares depositaram no seu corpo. É um momento fulgurante de “sua majestade, o bebê!”. Júbilo para a criança e para os pais, que veem renascer das cinzas sua própria imagem idealizada e todos os seus anseios irrealizados. Instante de narcisismo primário – constitutivo e alienante. O bebê será um herói, vencerá todos os perigos; trata-se de um momento necessário, mas cheio de riscos. Se não ocorre, a imagem de si pode não se constituir, pode se fragilizar, parecendo insuficiente. Se for excessivo, torna-se aprisionante, comprometendo o futuro, a possibilidade de construção de projetos e os ideais.

Se tudo correr bem, a criança se desligará desse olhar primordial e escapará do destino fatal de Narciso – embeber-se, afogado, na tentativa de perpetuar o encontro com a imagem que as águas lhe devolviam. Os desdobramentos do narcisismo são de fundamental importância para a análise do mundo em que vivemos. A valorização da imagem e do sucesso a qualquer custo reduz a tolerância das mínimas divergências – o que Freud chamou de narcisismo das pequenas diferenças – e acirra os conflitos, seja nas pequenas discordâncias do cotidiano ou nos grandes conflitos bélicos. Se o outro não me satisfaz, se não é espelho daquilo que almejo, se tenta opor se às minhas vontades e ameaça minha autoestima, eu o aniquilo. O terreno é propício para preconceitos, fanatismos e violência. A tragédia vivida por Narciso não nos abandona. Deixa sempre restos que nos fazem seguir pela vida tentando reencontrar o olhar mágico que nos enlevava e nos dizia tudo que éramos. Busca incessante de certezas, de entrega passiva às ilusões…

Psicanálise com crianças

A rebeldia da criança não é um ‘sintoma’ para punir ou medicar, é um enigma para decifrar, uma letra para ler. A parte do sintoma mais difícil de tratar na criança são os pais – deles elas sofrem muito -; todavia, não há psicanálise com criança sem os pais.

Neurose Obsessiva Compulsiva

Freud revelou, em sua teoria sobre as neuroses, uma característica fundamental da neurose obsessiva: o seu vínculo estrutural com o sentimento de culpa; o sujeito se vê invadido por recriminações.

“No Mal Estar da Civilização” Freud comenta que na neurose obsessiva há tipos de pacientes que não se dão conta de seu sentimento de culpa, ou apenas o sentem como um mal estar atormentador, uma espécie de ansiedade, se impedidos de praticar certas ações.

O estereótipo é o de alguém muito distinto, que aparentemente vai muito bem, tem senso de moral, respeito, escrúpulos, não deseja prejudicar ninguém, aliás…ele sequer deseja, ou melhor, jamais coloca o seu desejo, uma vez que este comparece degradado em necessidades ou deveres a cumprir. 

Enquanto o sujeito histérico se mobiliza, fala, chama atenção, o obsessivo vive em cogit(ação). A ação está entre parênteses, pois acha-se impedida pela ruminação na qual se encontra este sujeito, chafurdando em dúvidas e incertezas.

Enquanto o histérico encarna a falta, o obsessivo visa obturá-la, o que faz a qualquer preço, em detrimento de seu desejo e através de sua inteligência e racionalização, nem sempre, entretanto, fazendo justiça ao que se propõe – é conhecido o famoso “emburrecimento” neurótico. 
Um organizador por excelência, um administrador da vida, sobretudo a dos outros. De fato, obsessivos estão sempre prontos para tudo, desde que não se comprometam. 

O obsessivo mantém as idéias isoladas, porque a ligação é perigosa e pode remeter à castração. Isso é isolamento. Outro mecanismo de defesa é a anulação retroativa (“faz e depois refaz”).

A palavra “neurótico”, da maneira como costuma ser usada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensivo ou pejorativo. Pessoas que não entendem nada dessa parte da medicina podem usar a palavra “neurose” como sinônimo de “loucura”. Mas isso não é verdade, de forma alguma.

Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É neurótica e não ESTÁ neurótica.

“Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou.” (Lacan)

Cada pessoa interpreta o que escuta e vê partindo de si mesma, sua interpretação de um fato ou de uma situação é uma verdade para si.


Quando conversamos com outra pessoa colocamos em palavras o que pensamos ou o que sentimos sobre algo, de acordo com nossas interpretações.

Por mais que estejamos conscientes do que falamos e de como falamos, não há como ter certeza que a pessoa que estamos nos comunicando compreenderá o que estamos a dizer, pois nossas palavras são interpretadas de acordo com os referenciais dela.

Quando vemos ou escutamos algo,  tiramos uma opinião de acordo com a nossa percepção, nossos valores culturais, nossas experiências pessoais, os afetos ou desafetos, e inclusive como estamos nos sentindo no momento.

Para fazer um comentário, transformamos nossas percepções internas em palavras, usando o nosso vocabulário, termos e maneiras pessoais de nos expressar, que serão interpretadas pela outra pessoa.

A pessoa que nos escuta interpreta o que dizemos de seu modo particular, de acordo com suas condições perceptivas. Nem sempre somos compreendidos quando conversamos com pessoas com diferentes experiências de vida ou diferentes referências culturais, do mesmo modo que nem sempre as compreendemos.

Qualquer pessoa pode ser interpretada como boa ou má, correta ou equivocada, isso depende do modo como cada um interpreta o que vê ou escuta. A maneira como entendemos as coisas que estão fora de nós tem relação com as experiências que vivemos dentro de nós.


 “Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou.”
(Jacques Lacan)


Fonte: http://www.tautonomia.com 

Neurose histérica

Todo histérico é um reivindicador de amor, pois sempre achou que a mãe não o amou suficientemente. Queria um amor completo e assim, ser poderosa por ser muito amada. Tratará, então, de ser um objeto ideal do Outro, um filhinho ideal, com a determinação de receber o amor que lhe falta.

Segundo Nasio, “a histeria é, antes de tudo, o nome que damos ao laço e aos nós que o neurótico tece em sua relação com os outros a partir de suas fantasias”.  O histérico tem medo de obter o gozo máximo, que o faria enlouquecer, dissolver-se, desaparecer e para diminuir a sua angústia, mantém-se incessantemente, em suas fantasias e em sua vida, o doloroso estado de insatisfação. Assim, busca obter do outro, não a resposta que planifica, mas a não resposta que frustra. 

A histérica tem um ideal de perfeição, que quer sempre mais e melhor. Isso é positivo, é o traço da insatisfação – o ideal de ser, que foi dado pelo Grande Outro Materno.

 Traços estruturais do neurótico histérico:
Desejo suspenso ou alienação subjetiva: o histérico não tem desejo próprio e deseja o que o outro deseja. Isso porque se o falo é aquilo que o histérico se sente injustamente privado, o histérico vai acompanhar aquele que ele julga suposto deter o falo, aquele que sabe ou tudo pode. A histérica é grande detectora do desejo do outro, é como se tivesse um 6º sentido para captar o desejo do outro. Dado a ver: como o histérico se apresenta ao outro. Ele quer se mostrar, nem que seja o pior de si (bobo da corte). Faz encenações. Ela quer ser poderosa, mostrar que tem o “falo”. Logo, mostra-se, coloca-se em cena, tem necessidade de aparecer. A intenção é fascinar o Grande Outro Materno. “As mulheres se enfeitam para as outras mulheres”.  A sedução é colocada a serviço do falo, mais do que é colocada a serviço do desejo. Adora ser admirada. O que ela quer é que o outro a deseje, mais do que ela o deseja. Ela faz jogo de sedução e deixa o outro na dúvida, num arranjo de aproxima-se, afasta-se, não querendo dar um final objetivo, concreto. A atividade histérica de insinuação é um fim em si mesmo, já que não quer ter o desejo satisfeito. Frustrar-se é o objetivo final da histérica. Semblant: simulação que o histérico é capaz de fazer, para parecer-se verdadeiro. Gosta de dar a impressão de que é verdadeiro, exibe a “honestidade”, “castidade”, “religiosidade”, quer parecer confiante. Mas é uma imitação. A histérica copia e imita o outro que ela pensa que detém o poder/saber, mesmo que seja um modelo equivocado. 

Repressão e deslocamento: recalca o que o desagrada e substitui por outra coisa.

Máscara: mímica momentânea, onde faz cara de espanto, tristeza, alegria, ciúmes,… Etc. (Aquilo que convir no momento).

 Realiza o desejo do outro: como a histérica capta o desejo do outro, já que possui o seu desejo suspenso, é fácil para a histérica realizar o desejo do outro. Ela quer um Senhor, para que ela possa reinar sobre ele: “Por trás de um grande homem tem uma grande histérica”.

Mecanismos de Defesa do Ego

Os mecanismos são modos de operação psíquica que o Ego utiliza/constrói para defender-se de perigos reais ou fictícios. Tem a função de proteger o ego contra elementos como a ansiedade e o desprazer, por exemplo, e são normais a todos os seres humanos, podendo ser utilizados também para defender de forma patológica o narcisismo do sujeito.

Ana Freud (1946/2006), que escreveu uma obra prima sobre o tema, teoriza que tais mecanismos existem pelo “medo” do ego de regredir ao estado inicial de fusão com o ID, na hipótese da falha do Superego na tarefa de reprimir os impulsos.

Os mecanismos de defesa são:

Repressão: Movimento que o Ego realiza para rebaixar conteúdos dolorosos (sejam ideias, afetos ou desejos) da consciência para o nível inconsciente;

Negação: Consiste na recusa da aceitação da realidade incômoda ao Ego;

Deslocamento: Consiste na transferência de um impulso para outro alvo considerado menos ameaçador;

Racionalização: É um processo pelo qual a pessoa elabora desculpas ou razões lógicas para tentar justificar comportamentos, pensamentos ou sentimentos inaceitáveis;

Compensação: Mecanismo de defesa utilizado para encobrir uma fraqueza através da atribuição de ênfase à outra característica mais desejada ou aceita;

Formação reativa: É um mecanismo que tende a inverter o impulso indesejado, substituindo-o pelo seu oposto. Exemplo: A pessoa “prega” a moralidade extremamente puritana, mas é totalmente entregue às perversões sexuais;

Projeção: Talvez este seja o mais famoso mecanismo de defesa, que é o responsável por atribuir aos outros conteúdos psíquicos que são da própria pessoa a outrem;

Isolamento: Consiste em separar um pensamento, recordação ou afeto de outros associados, em determinado evento/fato, de modo a minar ou fazer com que nenhuma reação emocional ocorra;

Anulação: Busca cancelar ou desfazer uma ação/sentimento indesejado de forma “simbólica” através de outra;

Introjeção: É o mecanismo responsável por integrar elementos de outro indivíduo a estrutura do Ego;

Regressão: É o mecanismo responsável pro fazer o ego retornar a um estágio anterior de desenvolvimento;

Fixação: Ocorre quando uma pessoa, em seu desenvolvimento, não progride de maneira normal, parando parcialmente em uma fase do desenvolvimento;

Sublimação: É o mecanismo responsável por redirecionar a energia de um impulso para outra atividade socialmente mais aceitável ou desejável;

Identificação: É o mecanismo responsável por aumentar o valor do ego através da aquisição de características de um sujeito referência (admirado).

Referências

Freud, A (2006). O Ego e os mecanismos de defesa.Porto Alegre: Artmed.

Freud, S. (1996). O Ego e o Id. Obras Completas de Sigmund Freud, Vol. XIX: O Ego, o Id e outros trabalhos (J. Salomão, Trad.). p. 164-167. Rio de Janeiro: Imago.

Hall, C. S., & Lindzey, G. (1971). Teorias da personalidade (L. Bretones, Trad.). São Paulo: Herder.

Instâncias psíquicas (Id, Ego e Superego)

 

Em 1923, Sigmund Freud formulou a segunda tópica, ou segunda divisão do aparelho psíquico. As instâncias psíquicas formuladas são três: Id (Isso), Ego (Eu), Superego (Supra-Eu).

O “ID“, grosso modo, correspondente à sua noção inicial de inconsciente, seria a parte mais primitiva e menos acessível da personalidade. Freud afirmou: “Nós chamamos de (…) um caldeirão cheio de excitações fervescentes. [O id] desconhece o julgamento de valores, o bem e o mal, a moralidade” (Freud, 1933, p. 74). As forças do id buscam a satisfação imediata sem tomar conhecimento das circunstâncias da realidade. Funcionam de acordo com o princípio do prazer, preocupadas em reduzir a tensão mediante a busca do prazer e evitando a dor. A palavra em alemão usada por Freud para id era es, que queria dizer “isso”, termo sugerido pelo psicanalista Georg Grddeck, que enviara a Freud o manuscrito do seu livro intitulado The book of it (Isbister, 1985).

O ID contém a nossa energia psíquica básica, ou a libido, e se expressa por meio da redução de tensão. Assim, agimos na tentativa de reduzir essa tensão a um nível mais tolerável. Para satisfazer às necessidades e manter um nìvel confortável de tensão, é necessário interagir com o mundo real. Por exemplo: as pessoas famintas devem ir em busca de comida, caso queiram descarregar a tensão induzida pela fome. Portanto, é necessário estabelecer alguma espécie de ligação adequada entre as demandas do id e a realidade.

O EGO serve como mediador, um facilitador da interação entre o id e as circunstâncias do mundo externo. O ego representa a razão ou a racionalidade, ao contrário da paixão insistente e irracional do id. Freud chamava o ego de ich, traduzido para o inglês como  “I”  (Eu”  em português). Ele não gostava da palavra ego e raramente a usava. Enquanto o id anseia cegamente e ignora a realidade, o ego tem consciência da realidade, manipula-a e, dessa forma, regula o id. O ego obedece ao princípio da realidade, refreando as demandas em busca do prazer até encontrar o objeto apropriado para satisfazer a necessidade e reduzir a tensão.

ego não existe sem o id; ao contrário, o ego extrai sua força do id. O ego existe para ajudar o id e está constantemente lutando para satisfazer os instintos do id. Freud comparava a interação entre o ego e o id com o cavaleiro montando um cavalo fornece energia para mover o cavaleiro pela trilha, mas a força do animal deve ser conduzida ou refreada com as  rédeas, senão acaba derrotando o ego racional.

A terceira parte da estrutura da personalidade definida por Freud ,o SUPEREGO, desenvolve-se desde o inicio da vida,quando a criança assimila as regras de comportamento ensinadas pelos pais ou responsáveis mediante o sistema de recompensas e punições. O comportamento inadequado  sujeito à punição torna-se parte da consciência da criança, uma porção do superego. O comportamento aceitável para os pais ou para o grupo social e que proporcione a recompensa torna-se parte do ego-ideal, a outra porção do superego. O comportamento aceitável para os pais ou para o grupo social e que proporcione a recompensa torna-se parte do ego– ideal, a outra porção do superego. Dessa forma, o comportamento é determinado inicialmente pelas ações dos pais; no entanto, uma vez formado o superego, o comportamento é determinado pelo autocontrole. Nesse ponto, a pessoa administra as próprias recompensas ou punições. O termo cunhado por Freud para o superego foi über-ich, que significa literalmente “sobre-eu”.

superego representa a moralidade. Freud descreveu-o como o “defensor da luta em busca da perfeição – o superego é, resumindo, o máximo assimilado psicologicamente pelo indivíduo do que é considerado o lado superior da vida humana” (Freud, 1933, p. 67). Observe-se então, que, obviamente, osuperego estará em conflito com o id. Ao contrário do ego, que tenta adiar a satisfação do id para momentos e lugares mais adequados, o superego tenta inibir a completa satisfação do id.

Assim Freud imaginava a constante luta dentro da personalidade quando o ego é pressionado pelas forças contrárias insistentes. O ego deve tentar retardar os ímpetos agressivos e sexuais do id, perceber e manipular a realidade para aliviar a tensão resultante, e lidar com a busca do superego pela perfeição. E, quando o ego é pressionado demais, o resultado é a condição definida por Freud como ansiedade.

ID: fonte de energia psíquica e o aspecto da personalidade relacionado aos instintos.

EGO: aspecto racional da personalidade responsável pelo controle dos instintos.

SUPEREGO: o aspecto moral da personalidade, produto da internalização dos valores e padrões recebidos dos pais e da sociedade.

Freud e o inconsciente

Primeiramente acreditava-se que o homem, sendo um ser racional, conseguiria controlar os seus impulsos através da vontade, negando a existência do inconsciente.

Esta teoria foi contestada por Freud cujo objectivo de estudo era o inconsciente, onde este acreditava estar a ligação entre todos os acontecimentos mentais.

O psiquismo humano é encarado por Freud como um icebergue, do qual apenas uma pequena parte emerge da superfície da água.
A parte emersa corresponde ao consciente . Nele estão os raciocínios, os pensamentos e as percepções que a pessoa é capaz de voluntariamente evocar e controlar segundo as suas necessidades ou desejos e conveniências do meio social.

É a parte da mente humana a que é possível chegar através da introspecção, ou seja, através da observação do que se passa no interior da nossa mente, dos fenómenos psíquicos que acontecem na nossa consciência. Ao contrário do inconsciente, é possível controlar voluntariamente o consciente dependendo das necessidades e exigências do ser humano. Até então, o ser humano era definido como um ser racional que controlava as suas acções através da sua vontade. Para Freud, a existência apenas do consciente não explicava muitos dos comportamentos humanos, designadamente certas patologias, o que levou Freud a afirmar a existência do inconsciente.


Freud refere ainda o pré-consciente (faz a ligação entre o consciente e o inconsciente), o qual corresponde, no icebergue, a uma zona flutuante de passagem entre a parte visível e a oculta. É constituído por conteúdos psíquicos (memórias, conhecimentos armazenados) que podem ser recuperados de forma relativamente fácil. A sua função é impedir a manifestação de pulsões socialmente inaceitáveis, ocorrendo o recalcamento. O recalcamento é um processo normal e indispensável ao equilíbrio psicológico e social do indivíduo; porém, há limites para além dos quais pode ocasionar o aparecimento de comportamentos neuróticos. É em especial destes casos que a psicanálise se ocupa.


A parte submersa corresponde ao inconsciente, formado por instintos, pulsões e desejos, muitos dos quais são socialmente inaceitáveis. O inconsciente é como um vasto contentor, onde estão depositados impulsos e motivos de base biológica. As duas categorias de instintos existentes no inconsciente humano são Eros (deus grego do amor) e Thanatos (deus grego da morte). Eros simboliza o instinto de vida que assegura as necessidades básicas: alimento, bebida, sexo; Thanatos representa o instinto de morte que está presente em todos os comportamentos agressivos e destrutivos.

O conjunto de pulsões e desejos inconscientes, essencialmente os de natureza sexual, possuem um dinamismo próprio cujo papel na determinação do comportamento humano é superior aos dos fenómenos conscientes.

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